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Volkswagen do Brasil. Ano: 1969 Tomo o ônibus da Empresa Himalaia Turismo, linha São Bernardo - Jabaquara. Os passageiros são todos funcionários da Volkswagen do Brasil, indústria automobilística com 45.779 funcionários. Eu trabalho das 16:30 às 2:20, e saio no meio da madrugada. Desço do ônibus na praça de Diadema, em frente à padaria. É dia 10, o dinheiro do pagamento está inteirinho no bolso, mas eu não me preocupo. Moro a seis quarteirões dali, na Rua dos Rubis, N.º 185. Faço o trajeto num trilho em meio a um enorme terreno baldio. Passo por uma pinguela, de córrego fundo, e ganho a rua novamente, enquanto luzes opacas me orientam que direção tomar. Os cachorros latem, é noite escura, todos dormem. Eu estou cansado, mas muito feliz, pois adoro São Paulo, onde há paz e segurança. Tenho 20 anos. Música Violência Urbana. Ano: 2004 (Autor Mario Milani) Vai Janeiro vem Janeiro-e-nada...Vai Janeiro vem Janeiro-e-nada... Eu moro no morro. Quando desço o morro, juro que morro de medo. Eu já vi de tudo, eu sei de tudo. Mas tudo é segredo. Antes era só à noite. Agora é todo dia, fim-de-semana. Violência urbana, violência urbana, violência urbana... Essa diferença social está fazendo mal pra nós aqui no morro. Antes era a favela, agora é a cidade que pede socorro, precisamos de tão pouco. Trabalhar, estudar, e atenção. Violência urbana, violência urbana, violência urbana... Vai Janeiro vem Janeiro-e-nada...Vai Janeiro vem Janeiro-e-nada...
Tenho saudades dos meus amigos. Lembro-me de gente como o Manoel Baiano, que cursava eletrônica, do Paraíba, da inspeção de qualidade. Eu fazia desenho industrial, e éramos todos colegas na Escola Continental São Bernardo do Campo. Aos domingos tínhamos programas variados, como o Museu do Ipiranga, Cinemas, Teatros e Parques de diversão, Nessa época eu namorava a Ana Carolina (Carol). Nunca mais a vi... Hoje moro no interior. Tenho 58 anos. Um dia, fui para a Capital a trabalho e na Avenida Cupecê roubaram meu notebook. O taxista disse que isso era normal. Mas eram duas e meia da tarde! (...) Marília, 25 de Outubro de 2007.
Um aposentado de um banco federal, conhecido meu, ao me encontrar na rua, perguntou-me: "Qual o segredo de tanta felicidade? Toda vez que eu o vejo você está sorrindo". Em tom de brincadeira eu respondi: “É segredo, mas eu posso dar umas dicas”. Expliquei ao meu amigo, então, que os seres humanos têm obrigação de viver assim, alegres, pois a felicidade é um estado próprio da pessoa. Quem demonstra alegria recebe alegria de volta. O mesmo vale para outros sentimentos positivos, como gratidão e satisfação. De fato, o indivíduo que é incumbido de uma tarefa e se entrega a ela de corpo e alma vai desfrutar o trabalho no começo, meio e fim. Um outro, que realiza sua tarefa acabrunhado, pode até obter o mesmo resultado material, mas sem aproveitar o prazer de executar. Cumprir as nossas obrigações é dever de cada um. Mas fazer mais e melhor é opção pessoal. Não importa apenas o destino: vale também o itinerário. Nas relações humanas, é fundamental ter em mente que o egoísmo divide e a vaidade aprisiona. Ao contrário, a solidariedade integra e a simplicidade encanta. Continuamos caminhando pela larga avenida. Estava uma tarde de sol, com temperatura agradável. Convidei meu amigo para entrar no Sebo do Jordão, e ele recusou com um argumento surpreendente: "Você vai entrar nesse lixo? Só tem coisa velha aí". Havia uma dose de decepção nas suas palavras, como se o antigo fosse sinônimo de deprimente, e a necessidade do novo emergisse como uma solução indispensável. Tentei explicar que naquela loja havia livros, discos, nomes sagrados da música e da literatura, tudo a preço de banana. Mas ele não entendeu. Despedimo-nos e entrei sozinho na loja. Percebi que aquele encontro foi significativo para a compreensão de mais um aspecto do mundo. Meu amigo quis saber o segredo da felicidade, mas não foi capaz de entender um gosto simples, tão simples como o cantar de um pássaro e o vôo de uma borboleta. Ele não era obrigado a compartilhar do gosto pelos sebos. Bastava apenas que entendesse. Como alguém que, não sabendo nem querendo bordar, aprecia o trabalho artesanal. E é assim. As pessoas vivem atrás da felicidade, mas imaginam que ela esteja num lugar onde a presença humana não é possível. Pena que essa seja uma armadilha na qual (quase) todos estamos sujeitos a cair. |